DRM para combater a pirataria?

Filed Under (videogame) by MiWi on 13-09-2008

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Eu estava lendo esse post sobre DRM no slashdot e… bom, que DRM não impede a pirataria todo mundo já sabe: seu primo de 12 anos que está começando a ver Malhação para se achar adolescente já sabe como baixar aquele jogo que acabou de sair em um site de torrent, sem DRM.

As pessoas que eu mais tenho visto reclamar de DRM são justamente aquelas que compram os jogos e se irritam com aquela parafernália sendo instalada…

Aí, alguém mencionou que DRM não combate a pirataria, combate o mercado de usados - afinal, você compraria um jogo usado que você sabe que só pode ser instalado três vezes? Pois é, nem eu. 

Ou seja, você pode revender livros, filmes e CDs normalmente no mercado de usados, mas aparentemente as companhias de jogos acham que você não tem o direito de revender seus jogos de PC.

Sobre a revolta com a DRM em Spore, a EA se pronunciou dizendo que apenas 1% dos jogadores entraram em contato até o momento para instalar mais de três vezes… uau, só 1%… em cerca de uma semana… em uma semana, quem diabos já precisaria reinstalar o jogo mais de três vezes? Citando um dos slashdotters…

Bullet, meet foot.

Têm dias e pessoas que dão vontade de mandar para aquele lugar…

Filed Under (videogame) by MiWi on 02-09-2008

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Eu realmente defendo o uso de jogos originais. Entendo que, para muitas pessoas, é complicado consumir originais, e mesmo eu não uso originais 100% do tempo. Mas eu realmente apóio os desenvolvedores e tenho gosto de ter os jogos que eu considero bons.

Aí vem um INFELIZ de um executivo da EA dizer que as pessoas não deveriam comprar jogos usados, que as grandes lojas deveriam “por a mão na consciência para ver como estão afetando o mercado” ao revenderem usados.

Ei, EA, que tal VOCÊS botarem a mão na consciência e pensarem em fazer jogos DECENTES ao invés de ficar de mimimi porque as pessoas não estão comprando a versão mais recente dos seus jogos meia boca, ein?

Diabos. Deveria existir uma lei proibindo esses executivos de abrirem a boca…

[ via MeioBit Games ]

Pesquisa sobre Pirataria

Filed Under (utilidades, videogame) by MiWi on 06-08-2008

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Eu estava lendo um artigo sobre pirataria, quando eu li algo que eu já tinha percebido: praticamente não existem dados a respeito do comportamento do gamer que jogos piratas.

Então, eu estou pensando em iniciar uma pesquisa a respeito do assunto, para traçar um perfil dos jogadores e responder, estatisticamente, perguntas como “se a pessoa não tivesse acesso ao jogo pirata, ela compraria o jogo?”, “a pessoa tem a tendência a comprar o jogo se ela o testou e gostou muito dele?”, “qual o maior motivo que leva os jogadores a usarem jogos piratas?”, e etc.

Seria uma ferramenta interessante, creio eu, tanto para desenvolvedores, para conhecer melhor o que tanto temem, quanto para as pessoas interessadas no mercado e que gostariam de saber qual o real impacto na pirataria no mercado de jogos.

A idéia é criar um site para isso, talvez um www.piracyresearch.com ou qualquer coisa parecida. Sugestões para o nome do site são bem vindas, aliás.

O projeto consistiria, inicialmente, em tentar conseguir o maior número de pessoas para responder a pesquisa. Ao redor do mundo, por isso o nome em inglês - eu criaria uma versão em inglês e outra em português da pesquisa. E em outras línguas, se alguém se dispusesse a traduzir.

Depois, traçar estatísticas, gráficos e perfis baseados nos resultados da pesquisa. E então publicar em um artigo bem longo, cheio de gráficos e tudo o mais.

Mas, para poder colocar o projeto para a frente, eu gostaria da ajuda dos meus queridos e fiéis leitores.

Não, calma, essa não é a deixa na qual eu peço o número dos seus cartões de crédito. xD

Eu preciso de ajuda para duas coisas, basicamente:

1. Sugestões de perguntas

2. Sugestões de qual sistema usar para recolher os formulários, se alguém conhece algo que poderia me ajudar a analisar os dados dos formulários.

Para o item 2, eu ainda não tenho nenhuma idéia - vou tentar pesquisar sobre isso.

Sobre o item 1, já sei algumas perguntas. Digam-me o que acham delas e sintam-se à vontade para sugerir mais. Lembrando que o foco consiste em traçar um perfil do jogador, por isso a necessidade de perguntas demográficas.

Dados demográficos:

  1. País
  2. Faixa etária
  3. Sexo
  4. Possui renda própria?

Perguntas a respeito do seu perfil gamer:

  1. Quantos consoles da geração atual você possui?
  2. Você tem um computador apto a rodar pelo menos alguns dos jogos atuais?
  3. Você joga primordialmente no seu computador ou no seu console? (considerar apenas jogos atuais, não aqueles jogados através de emuladores)
  4. Quantos jogos piratas você jogou nos últimos seis meses?
  5. E no último ano?
  6. Quantos jogos originais você comprou nos últimos seis meses?
  7. E no último ano?
  8. Os jogos originais que você comprou, você comprou após ter jogado a versão pirata?
  9. Percentualmente, quanto dos jogos que você jogou na versão pirata, você teria comprado original se não existisse uma alternativa gratuita? Considerando apenas os jogos que você NÃO comprou após ter jogado a versão pirata.
  10. Percentualmente, quando dos jogos que você comprou você não teria comprado se não tivesse jogado a versão pirata antes?
  11. Qual a sua maneira preferida para comprar jogos? (ir em uma loja, Steam, D2D, outras formas de distribuição digital, não compro jogos originais)
  12. Qual a sua maneira preferida para conseguir jogos piratas? (torrent, camelô, serviços de rapidshare como megaupload e rapidshare, não adquiro/baixo jogos piratas)
  13. Se você fosse citar apenas um motivo pelo qual você joga jogos piratas, qual seria ele? (não jogo jogos piratas, não tenho dinheiro, comodismo, revolta contras as produtoras, não considero o preço justo)
  14. Se você não concorda com os preços praticados para os jogos, que desconto faria você considerar os preços ‘justos’? (Percentualmente)
  15. Você tem o costume de importar jogos?
  16. Que medida tomada pela indústria fez com que você comprasse mais jogos originais ou reduzisse o seu consumo de jogos piratas? No caso de mais de uma medida ter influenciado sua decisão, escolha a que você considera mais relevante. (Distribuição Digital [Steam, D2D], reduções de preços, proteções anti-pirataria, demos de jogos, maior oferta de jogos independentes/antigos a preços mais acessíveis)
  17. Que modo de jogo você costuma jogar com mais frequência? (Online, Offline)
  18. Você se sentiria disposto a pagar uma mensalidade para jogar os jogos que quisesse, durante o tempo que quisesse (desde que estivesse pagando a mensalidade?)
  19. Você costuma jogar jogos gratuitos legais? (Não, sim (MMOs que cobram por opcionais, jogos independentes gratuitos, adwares, outros)
  20. Quantas horas por semana você costuma jogar?

Bom, por hora seriam essas perguntas, mas ainda tenho de ver se não existem perguntas melhoras, outras opções que poderiam ser acrescentadas, etc. Volto a ressaltar: Opinem. Abram a boca. Taquem a boca no trombone.

Ajudem, já que eu acho que esse projeto vai interessar à muita gente… eu espero :)

Combatendo a pirataria da maneira errada

Filed Under (videogame) by MiWi on 06-08-2008

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OK, você tem uma empresa de jogos e quer combater a pirataria. Ao invés de tentar isso de uma maneira inteligente e criativa, como oferecer demos, distribuir de maneira digital ou criar edições limitadas supimpérrimas (Spore, estou olhando para você =*), algumas empresas decidem que isso é… sei lá o que elas decidem, mas elas decidem combater a pirataria da maneira mais estúpida possível.

Por exemplo, lançaram um jogo com uma DRM que te impedia de jogar sem o CD. Até aí, normal. O problema é que os IMBECIS esqueceram que também estavam distribuindo o jogo de maneira digital.

Resultado? Pessoas que compraram e baixaram o jogo legalmente ficaram sem poder jogar até um patch ser lançado.

Patch que foi usurpado de um grupo de “warez”. Sem os devidos créditos.

SIM, eles fizeram pirataria da pirataria. Será que eles se valeram do antigo ditado “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.

PUTAQUEPARIU, velho.

Ah, e não somos só eu e você quem achamos esse lance todo de DRM ridículo, não. Até mesmo alguém da CAPCOM, responsável pela distribuição digital dos jogos da empresa, acha que não podem existir DRMs que tornem a experiência do jogador ruim. Mesmo a daqueles jogadores que usam o pirata para decidir se vão ou não comprar o jogo.Sabe, como cópias piratas de Bioshock e Mass Effect que tinham DRMs que tornavam a experiência “bugada” se você não tivesse o original… ou mesmo que o tivesse. Já li relatos de pessoas que compraram o original e jogaram o pirata (já com o DRM retirado, go hackers go) para não ter de aturar as DRMs instaladas no PC.

É, você leu certo. Até mesmo um executivo da CAPCOM percebeu que existem pessoas que rodam o pirata antes de comprar o jogo, e que fazer com que esses jogadores tenham uma má impressão do jogo não é uma boa idéia.

É uma revolução, estou avisando…

Em homenagem às péssimas DRMs:

Considerações sobre Pirataria

Filed Under (videogame) by MiWi on 04-08-2008

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Caso:

Fulano e Ciclano são amigos há anos, e sempre tiveram consoles diferentes. Fulano tinha Mega Drive, Ciclano tinha Super Nintendo. Fulano comprou um Dreamcast, e depois um XBOX, enquanto que o Ciclano se divertia com seus Playstation. E os dois aproveitavam ambos os consoles quando iam visitar o amigo.

Cenário 1:

Um dia, acabaram se afastando, culpa da faculdade. Até que um dia, Fulano se lembrou de que havia um jogo da coleção de Ciclano que ele queria muito jogar, mas que pouco jogara na época em que eram mais próximos.

Pensou em ligar para o colega, mas… moravam tão longe! Como ele mandaria o jogo? E o console? O frete de um console para a sua cidade sairia uma fortuna!

Ele pensou um pouco com seus botões… foi até seu computador e descobriu que o tal jogo poderia ser facilmente emulado em seu computador. Acabou baixando o jogo em algum site obscuro da internet, ainda que sentindo uma ponta de remorso.

Cenário 2:

Ambos cresceram e acabaram se estabelecendo na mesma cidade, o que fez com sua amizade e a respectiva troca de jogos e tardes de jogatina na casa um do outro continuasse por anos a fio.

Um dia, fulano sentiu muita vontade de jogar um clássico ao qual não dera atenção no tempo certo. Ciclano tinha esse jogo, e por isso ele pediu para jogá-lo numa das vezes em que foi visitá-lo.

Ciclano reclamou - já jogara esse jogo dez vezes, já o terminara de diversas maneiras… não, não deixaria o Fulano jogar o jogo na casa dele. Resolveu, então, emprestar o jogo e o console para o Fulano, sob a condição de que cuidasse bem do material e que lhe devolvesse quando terminasse de jogar.

Em ambos os cenários, o Fulano vai jogar o jogo.

Em ambos os cenários, a empresa que fez o jogo e seu respectivo criador não irão ganhar um centavo com isso.

Mas, em apenas um deles você torceu o nariz - pirataria, que coisa feia!

Mas, nesse caso, por que é errado? “Porque é”, seria a resposta da maioria das pessoas, ainda que elas disfarcem a falta de argumentos com pseudo-argumentos como “mas isso infringe os direitos autorais, é uma afronta à propriedade intelectual!”. Ah, é? Como? Pelo jogo estar sendo usado de uma maneira não prevista pelos criadores? Bom, se eu usar o CD original ou o cartucho para dar de brinquedo para o meu cachorro isso também é uma afronta a um direito autoral? Se eu usar cenas do jogo para ilustrar uma tese ou um artigo sobre um tema qualquer isso também é uma afronta à propriedade intelectual?

Magic Knight Rayearth, para Sega Saturn. Eu nunca tive um Saturn na minha vida, nem conheço ninguém que o tenha tido. Ainda que conhecesse, foram feitas apenas 15.000 cópias desse jogo, o que tornaria a minha tarefa de encontrá-lo praticamente impossível. Ainda assim, eu sou boba feia e má por estar baixando-o para rodar em um emulador de Saturn. Faz sentido… não.

Outro caso:

O Fulano, que continua sendo um tremendo viciado em jogos, ouviu falar em um jogo que será lançado e que está criando o maior “hype”. Mas ele nunca jogou nenhum jogo da franquia, que já está no número 4.

Ele procura, e não acha nenhum demo ao qual ele tenha acesso para descobrir como é o jogo.

Cenário 1:

O Fulano resolveu, novamente, emular o jogo original, o número 1 que deu origem à franquia de sucesso. Acaba emulando em seu PC, já que não conhece ninguém que tenha o jogo original para lhe emprestar.

Acaba se apaixonando pelo jogo e acaba reservando-o na pré-venda. Aliás, compra a edição limitada.

Cenário 2:

Fulano resolve não apelar para a pirataria e espera o jogo ser lançado. Espera algum amigo comprar o jogo mas nenhum de seus amigos próximos se interessa pelo gênero, ou não tem o console.

Resta-lhe ouvir os comentários exarcebados a respeito do jogo em fóruns e comunidades.

Pode parecer estranho, e até mesmo exagerado - e, nesse caso, é mesmo: eu exagerei na paixão do Fulano pelo jogo ao ponto de comprar a edição limitada e no fato de ele não conseguir testar o jogo de outra maneira. Mas, pode acontecer. Aliás, aconteceu comigo: quem acompanha sabe que eu jamais teria comprado Final Fantasy Tactics 2 se não o tivesse testado antes no meu R4. E, por mais que possam dizer, “nesse caso, você deveria ter testado o Final Fantasy Tactics do GBA ou o do PSX”, bom… nesse caso, eles são um tanto quanto diferentes. Existem coisas a respeito dos juízes do jogo de GBA que provavelmente me teriam feito desistir do jogo se eu o tivesse jogado primeiro.

Caso 3:

Fulano, sempre ele, só tem dinheiro para comprar um jogo esse mês. Mas existem sete jogos nos quais ele está interessado e ele não faz idéia de qual o interessa mais.

Cenário 1:

Fulano resolve olhar os vídeos, ler as análises… e acaba escolhendo um jogo. Compra-o e, todo feliz, vai testá-lo.

Detesta-o.

O próximo mês não é gasto pensando em qual será o próximo jogo, mas em como ele poderá se livrar daquela droga.

Cenário 2:

Ele resolve testar os jogos - alguns ele consegue pegando emprestado dos amigos, outros ele testa o pirata. No final, ele se decide por um deles, compra-o e é feliz para sempre.

Novamente, um exagero. Ainda assim, um exagero possível.

Entendam: a minha intenção não é dizer “a pirataria não é má, olhem só como ela é justificável”. Não, pelo contrário: eu sou contra a pirataria, e acho um absurdo quando as pessoas vem ostentar sua “esperteza” mostrando sua imensa coleção de jogos piratas - comprados em camelô, para aproveitar e ajudar o tráfico, claro.

Mas eu não aguento mais ver as pessoas simplesmente bradando “a pirataria é errada, a pirataria é errada, vocês vão arder no mármore do inferno!”.

Não, eu não acho que a pirataria seja sempre errada.Ela pode ser ilegal, mas eu não a considero sempre imoral. Afinal, o que a empresa está perdendo quando alguém nostálgico resolve baixar um emulador de SNES para jogar alguns clássicos, como Chrono Trigger? Não é dessa mesma nostalgia que a Square se aproveita para fazer seus remakes?

Ah, a propriedade intelectual. Os direitos autorais duram setenta e cinco anos. A indústria dos jogos mal tem metade disso e já é praticamente impossível encontrar jogos da época do NES e do SNES… aliás, até mesmo da época do Nintendo 64. Você é um colecionador, um maluco, ou alguém com muita força de vontade se quiser encontrar certos jogos por aí.

Não é como com filmes, CDs de música, livros - não é difícil encontrar DVDs de Cidadão Kane, …E o Vento Levou, por exemplo. Aliás, …E o Vento Levou eu tenho lá em casa, com direito a melhorias digitais para tentar… “rejuvenescê-lo”.

O mais parecido com isso que nós temos são os relançamentos, remakes, ports e compilações: jogos dos consoles da Nintendo no Virtual Console, jogos de PSX na PSN Store, compilações de Pac-man e Galaga para quase todos os consoles. Mas a biblioteca é pífia - fui dar uma olhada na PSN Store e acho que a seleção de jogos de PSX mal tinha dez jogos. E nenhum deles era de jogos que eu estou interessada em jogar no PSP, como Final Fantasy IX, Vagrant Story, Legend of Dragoon…

Uma pena, já que a possibilidade de jogar os clássicos no PSX em um portátil é um dos grandes motivos para eu comprar um PSP - que será desbloqueado, especialmente por causa disso. Se eu pudesse rodar os clássicos sem destravar o PSP, eu até pensaria duas vezes se iria comprá-lo bloqueado ou desbloqueado mas, com isso, não tem nem o que pensar…

O Playstation 2 foi o console de maior sucesso comercial da geração passada, e também o mais pirateado. Não quero criar uma relação de causa e efeito, como alguns que dizem que o PS2 fez mais sucesso justamente por causa da sua pirataria. Não… o Playstation 2 foi um sucesso de vendas apesar da pirataria. Como uma pessoa que tem sucesso em sua carreira apesar de uma doença crônica, como um carro que vende muito apesar de beber mais do que deveria.

Ainda assim, talvez fosse bom que a indústria olhasse para a pirataria com outros olhos - não como uma sujeira que deve ser escondida debaixo do tapete, mas como a poeira que sempre está no ar, mas não o impede de ter uma casa limpa e saudável.

A pirataria é uma maneira clara do consumidor mostra o que quer - o consumidor é preguiçoso, acomodado. Quer testar os jogos. Quer variedade. Quer poder jogar os jogos que ele não pôde jogar no tempo devido, seja por ser muito novo ou não ter condições ou conhecimento na época.

Com a pirataria, ele pode jogar os clássicos sem que isso acarrete um custo extra para a empresa.

Pode jogar jogos que nunca chegaram ao seu mercado.

Pode jogar jogos em português que nunca seriam traduzidos oficialmente.

Pode testar jogos que não tem demo e assim evitar uma compra da qual irá se arrepender.

Não estou querendo negar o lado ruim da pirataria, e que todos já conhecem muito bem - a pirataria de consoles atuais fere o mercado, ajuda o tráfico quando você compra no camelô, atinge os direitos intelectuais de jogos que mal saíram do forno.

Quero levantar o questionamento - o real problema é a pirataria, ou seria ela apenas um efeito colateral do mundo de hoje, que evolui e muda rápido demais e para o qual certas leis se tornaram antiquadas? A “revolução da internet” está aí, acontecendo. Mais rápido do que a mentalidade do consumidor, que ainda não dá valor ao que não pode tocar, do que a mentalidade das empresas, que enxergam essa revolução como uma ameaça.

Não digo que nada esteja sendo feito - o assunto é cada vez mais discutido e, novamente, o Virtual Console, a PSN Store e o Steam são provas de que o mercado está se adaptando, ou ao menos tentando, a essa nova realidade.

Que se discuta… o que você acha?

O que eu não aguento, o que eu não quero mais tolerar, é que se continua a varrer esse assunto para debaixo do tapete, que se comente sobre o assunto como se ele sempre fosse podre e nojento. Que a pirataria seja considerada ilegal “porque é”.

Afinal, se nunca se mudasse o que é considerado certo e errado, o que é moral e o que não é, negros ainda seriam escravos e mulheres não poderiam trabalhar fora.

Bioware, ajudar os jogadores tu não quer, né?

Filed Under (vida pessoal, videogame) by MiWi on 06-07-2008

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Uma das coisas que eu gosto dos jogos de XBOX 360 é que os jogos que me interessam dele costumam ser lançados para PC também. Leia-se BioShock e Mass Effect.

OK, isso provavelmente não irá acontecer com os JRPGS que serão lançados, como Infinite Undiscovery, mas eu ainda não quero pensar no futuro.

A questão é… eu fiquei bem feliz quando vi que Mass Effect seria lançado para PC. Esses dias acabei vendo-o na Saraiva por 100 reais e minhas mãos começaram a coçar para comprá-lo.

Pensei com meus botões, “OK, vou jogar o demo e se o jogo for tão bom quanto eu acho que ele é, eu venho comprar o jogo aqui.”

Que ingenuidade!

Procurei por “Mass Effect Demo” e tudo que eu consegui… foram vídeos.

Fui no site oficial, na seção de downloads. Avatares, wallpapers, mas nada de demo.

Dei uma olhada no forum, ao que o rapaz que perguntou sobre um demo para o jogo na XBLA foi respondido por um delicadíssimo troll: “A Bioware já falou que só vai pensar em demo depois do jogo estar pronto, e demo para que, se eu já sei que quero o jogo?”.

OK, que bom para você, cara-pálida. E o resto dos seres humanos que não tem certeza se irão gostar de um RPG americano com sexo inter-racial? Ein, ein?

Deixe-me ver se eu entendi: eu, uma potencial compradora do jogo ORIGINAL, tenho de fazê-lo sem saber se o jogo vai rodar no meu pc (ou melhor, no do meu namorado, mas isso não vem ao caso), se eu vou gostar do estilo do jogo… enfim, tenho de comprar baseada apenas em reviews, vídeos e imagens?

OK, se fosse um jogo de Wii, que não tem um sistema de demos, eu até iria entender.

Mas, porra, eu devo ser muita ingênua, porque eu não acho razoável que um jogo para PC, nos dias de HOJE, seja lançado sem ter um fucking demo para que os possíveis compradores possam ver se o jogo é bom ou não.

Aí eu lembrei… ei, não era Mass Effect que ia ter um novo sistema de validação online? É, ia ter que validar a cada 10 dias e tal… aí os caras se deram conta da idéia de jerico (sem dúvida eles perceberam isso depois do enorme “Pfffffft” que se ouviu quando a notícia veio a público) e resolveram que você não ia precisar validar a cada 10 dias, só na instalação e em até três computadores diferentes.

OK, vamos recapitular: eu não posso jogar antes, a menos que eu seja uma pessoa sociável e que tenha um amigo que já tenha o jogo para que eu possa ficar na casa dele, jogar umas 3 horas e então decidir se eu quero o jogo ou não.

Olá, pessoal, de uma maneira geral, gamers de PC não são exatamente as pessoas mais sociáveis do mundo! Não, a sua guilda em World of Warcraft NÃO conta como sociabilidade!

Mas, digamos que eu seja uma pessoa otimista e resolva comprar o jogo mesmo assim. Jogo um pouco e descubro que não tenho “saco” para esse tipo de jogo. Beleza, ein?

Ah, vou tentar vender, então. Mas é melhor eu avisar para o comprador que ele só irá poder instalar o jogo em dois pcs, porque eu já gastei uma validação no meu jogo.

Genial.

Eu até tenho condições de jogar um pouco do jogo - um amigo meu tem a versão do XBOX 360, e ele anda louco para jogar um pouco do Wii, dava para tentar fazer uma troca de final de semana e ver como é o jogo. Mas, sinceramente? Perdi a vontade. Não estou a fim de me contorcer porque a Bioware não fez a parte dela.

Sabe, Bioware, na próxima vez que você quiser combater a pirataria, eu tenho uma sugestão: ao invés de assumir que o seu público se divide em dois tipos: os fãs alucinados que irão comprar seus jogos só pelo nome e os pirateiros malditos que irão baixar o jogo via torrent e que vocês devem dar algum jeito absurdo de estragar a diversão do segundo tipo, que tal pensar que talvez, assim, existam pessoas dispostas a comprar o jogo depois de, assim, testá-lo?

Se alguém me apontar o link para um download do demo do jogo, juro que engulo tudo o que disse.

Mas, até lá, vai tomar no cu, Bioware.