Videogames São Arte

Filed Under (Gamedev, videogame) by MiWi on 11-11-2008

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Perceba: não se trata de uma pergunta, mas uma afirmação. Videogames SÃO arte - uma arte imatura, ainda tola e frívola, mas não menos arte por conta disso. “Ah, mas se faz com interesses comerciais…” - o que, e então? Exclui-mos o cinema do mundo da arte também. “Ah, você chamaria GTA de arte?” - ué, e você por acaso chamaria as músicas da Britney Spears de “arte”?  E não é a música uma arte?

Videogames SÃO uma arte - e justamente aí jaz o problema. Por mais rápido que avance em gráficos e física avançada, os fatores que levam a um resultado artístico tem evoluído lentamente. Os conflitos da alma que resultam em arte não seguem a lei de Moore, infelizmente.

Jogos eletrônicos constituem a arte que deveria ser a responsável por derrubar, definitivamente, a quarta parede. E você pode imaginar se não é justamente isso o que ocorre. Não, a parede não está derrubada, muito pelo contrário - nós nos tornamos a quarta parede.

Se isso lhe parece abstrato, deixe-me falar sobre o livro que li no final de semana: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Um pequeno clássico da ficção científica, que os mais aficcionados pelo tema certamente devem conhecer. Comprei a edição “popular”, isto é, papel jornal, formato pequeno:

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Tratando de um futuro sombrio que já ocorre, o livro mostra uma sociedade que queima seus livros. Não que precisasse: as pessoas não possuem mais interesse algum em lê-los. Em determinado momento, a esposa-estúpida se encontra na sala de estar, rodeada por três telões, um em cada parede. Passa o dia inteiro ali, e ainda insiste para que Montag consiga logo dinheiro para a quarta parede - desta maneira, estaria ainda mais perto da sua “família”, os programas que a tratam como se a conhecessem. Os diálogos de tais programas são fascinantes, no sentido de que não dizem absolutamente NADA.

É tanta tecnologia que tais telões não trazem coisa alguma que possa ser vagamente associada a “arte”. Exploram seus sentidos, com belas visões, fantásticos fogos de artíficio, uma “interação” sem igual: os participantes do programa a chamam pelo nome, como se ela de fato fizesse parte da família!

Tal parece ser o estado atual dos jogos: uma brincadeira de fogos de artíficio, uma falsa interação para nos deixar extasiados. Mas há um pequeno problema em extasiar os sentidos: eles são perversos e, quanto mais bem alimentados eles estão, menos eles deixam nossa alma se exercitar. Não digo alma no sentido espiritual/religioso: imagine “inconsciente” ou seu “eu interior” se preferir. Seja como for, sentidos e alma não andam lado a lado, como deveriam. Os sentidos, pelo contrário, trancarão nossa alma em um lugar escuro e jogarão a chave fora se tiverem a oportunidade.

A razão? Nossa alma traz inquietação. Dor. Questionamentos. Nossa alma subjuga nossos sentidos, transforma canção em saudade, a dor física em redenção. Mostra aos sentidos quão pequenos e limitados eles são.

Duvida? Lembre-se de uma forma de arte que o marcou, que o inquietou. Quantos jogos o inquietaram como 1984, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451, e isso apenas para mencionar a ficção científica pessimista? Algumas músicas me dão vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, como The Heart Asks Pleasure First. Quantos jogos me trouxeram esse tipo de emoção, e ainda em tão pouco tempo?

Quantas vezes você jogou um jogo e, ao terminá-lo, teve a sensação de que não era mais a mesma pessoa de antes de começa-lo? A sensação de que algo naquele jogo, de alguma maneira, havia transformado você - havia trazido questionamentos, emoção, inquietação.

Arte de Van Gogh

Não digo que seja necessária tal inquietação para que exista arte, mas eu acredito que isso seja uma boa maneira de medir a maturidade de uma arte. Okami é belo, lindíssimo - mas não me mudou. Não me inquietou. Não consigo pensar em um jogo que tenha me feito ficar olhando para o teto, pensativa - “digerindo” lentamente, “saboreando”… me transformando. Zelda: Ocarina of Time me marcou, mas não me transformou de maneira significativa - no máximo, introduziu um novo patamar contra o qual eu pesaria todos os outros jogos que eu viria a jogar. E isso é bom, não é mesmo? É arte, não é? Quando você se sente frustrado quando Sephiroth assassina Aerith, isso é arte, não é? Ainda assim, terrivelmente imatura.

Há um “Cidadão Kane” dos jogos? Uma nova sinfonia? Um “Crime e Castigo”, um “Os Miseráveis”, um “A Metamorfose”? Ainda assim, é justo cobrar tais obrar? Quantos anos têm os videogames? Quantos anos tem todas as outras artes? Ainda assim, como ela irá se tornar madura se ninguém a questionar? Ninguém lhe disser “você pode fazer mais do que isso”?

Indo mais além: como isso pode ser atingido? Voltando à dualidade sentidos x alma, como lidar com a explosão de sentidos em um jogo de videogame? Como fazer com que tais estímulos não ocultem nossa alma? Para mim, os livros constituem a forma de arte mais madura da humanidade, e a música a mais universal. Será coincidência o fato dessas formas de arte pouco animarem nossos sentidos? Sim, a música é capaz de extasiar nossa audição, mas os outros quatro sentidos são pouco animados, e a audição sozinha é frágil e sonhadora, é incapaz de trancafiar nosso alma - não é a líder da gangue, como a visão e o tato.

Será que a solução seria voltar ao Atari? Ainda assim, o cinema não tem atingido resultados fantásticos? O Labirinto do Fauno não é simplesmente maravilhoso, não fica na sua mente, não lhe traz um sorriso melancólico ao lembrar-se dele? E não é cheio de cores, música? E o segredo não está, justamente, no fato de que nossa alma é muito mais estimulada de que nossos sentidos? E isso não lhe dá forças para que ela subjugue nossos sentidos, faça-os trabalharem para ela e não contra ela?

É isso que eu quero nos jogos. Não creio que eu venha a trabalhar com jogos - não que eu não me interesse, mas eu também gosto de engenharia, de cachorros e vou começar a tocar teclado/piano… sem falar na minha outra grande paixão: escrever. Com tantos interesses, não sei aonde a vida vai me levar. Mas se ela me levar por esse caminho, vocês podem ter certeza de que é com esse tipo de coisa que eu vou virar a noite insône, tentando fazer a minha parte para amadurecer essa maravilhosa forma de arte.

Enquanto esse tempo não chega, vou divagando neste blog… :-)

[Meme] Que Cosplay de Personagem Você Usaria?

Filed Under (videogame) by MiWi on 01-11-2008

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Tentando colocar meus memes em dia, vou responder ao meme do Flausino. Pessoalmente, as roupas que eu acho mais legais são muito trabalhosas, o que quer dizer que eu provavelmente nunca faria um cosplay deles, mas já que o negócio é imaginar, vamos lá!

Número 1: Um dos meus personagens favoritos de todos os tempos: Vivi Ornitier!

Essa coisinha fofa me encantou desde a primeira vez em que o vi, numa revista sobre jogos. Naquela época eu não tinha um Playstation, então não pude jogar Final Fantasy IX. Mas estou jogando no meu PSP - aliás, meu Final Fantasy IX usado chegou esses dias, agora eu tenho ele bonitinho para a minha coleção de Final Fantasy… :) - e estou adorando cada momento!

Afinal, como não adorar essa coisa baixinha com crises existenciais? Ooooh! Eu já procurei por um Vivi de pelúcia, mas não achei nenhum que eu achasse bom o suficiente… da mesma maneira, o difícil nessa fantasia é fazer a calça “balão” e não reta… e não ficar irritada quando acharem que eu estou fazendo cosplay de um simples black mage e não do grande e maravilhoso Vivi!

Eu também gostaria de ir fantasia de Big Daddy… mas mesmo que eu conseguisse uma fantasia desse monstro, eu com toda certeza nem conseguiria me mexer dentro dela… xD

Cosplay de personagem feminino? Hã… que é isso? Eu já pensei em fazer da Samus, mas depois… bom, acho que eu gosto dela, mas não sou tão extremamente fã… :p

[Meme] Meus Brinquedos Gamers

Filed Under (vida pessoal, videogame) by MiWi on 30-10-2008

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Eu sei, eu estou novamente muito, muito atrasada para um meme. A Carol já respondeu, e no WarpZona já postaram uma coleção enorme de brinquedos. Mas eu tenho uma boa desculpa! Metade dos meus brinquedos gamers estão em Joinville, por isso eu tive de esperar até ir para lá para tirar as fotos. E meus chaveiros novos estavam lá, também.

Os meus primeiros brinquedos gamers foram esses, eu acho, e até hoje tenho um carinho enorme por eles:

Sim, um Sonic e um Tails! O Sonic tem até uma camisetinha do Sonic & Knuckles! E, sim, o Tails tem as duas caudas! Morra de inveja, Prandoni, eu tenho esse par há uns dez anos já, mwahahahaha! Tá, o seu Sonic é mais bonito e não está com a cor meio apagada pelo tempo, mas quem se importa?

Eu adorava, quando ganhei eu vivia com eles para cá e para lá… aí um dia eles se juntaram à minha imensa coleção de bichinhos no quarto de bichinhos de pelúcia.

Que também conta com um Pikachu que eu esqueci de fotografar porque eu associo ele ao desenho e não ao jogo, embora eu com certeza tenha gasto muito mais horas no jogo do que vendo o desenho, que eu desisti de ver logo após o fim da primeira temporada. Aliás, meu Pikachu diz “Pika-pika!” e acende as bochechas quando você o aperta, e ele é GRANDE E GORDO. Uma graça.

Aliás, esse Pikachu tem uma história interessante: quando eu era menor, eu queria muito um Pikachu, eu realmente adorava Pokémon. Um dia, nós estávamos em Curitiba e eu estava na loja de brinquedos importados, que eu ADORAVA. De repente, eu descubro que eles podem receber aquele Pikachu ENORME, o que me fez insistir que era AQUILO que eu queria de aniversário.

O problema? Nós não moramos em Curitiba, mas em Joinville, e meu pai não estava exatamente disposto a viajar de novo para lá na outra semana. Mas um colega dele estava em Curitiba e viria para Joinville, o que lhe deu uma idéia: ele resolveu pedir a esse colega que trouxesse o dito bicho para Joinville.

Imaginem a cena: o seu chefe pede para você trazer um bicho de pelúcia para a filha dele. E você, “ah, ok, enfim, não dava para comprar um bicho de pelúcia em Joinville não? Essas crianças mimadas…”.

Mas tudo bem, você resolve trazer o tal “Pikachu”, seja lá Deus o que for isso. E quando chega na loja e pede o tal do “Pikachu”, o rapaz traz uma… coisa… amarela… e gorda… de bochechas vermelhas… e que, Deus!, grita “pika-pika!” quando apertado. “… é essa coisa aí?”, “sim, moço, é esse aqui”.

E então você desiste por completo de entender a juventude de hoje.

E, sim, ele é realmente grande - mais ou menos o tamanho da nádega esquerda da mulher melancia, eu acho. Ei, não reclamem da comparação - é culpa da propaganda toda que a primeira coisa que me veio à mente ao pensar em algo grande e redondo fosse a bunda daquela mulher!

Fora esses, tenho dois chaveirinhos, um do Luigi e um do Fire Mario, e um muito especial, uma miniatura da Lisa:

( Sim, Prandoni, os chaveirinhos são iguais aos seus xD )

Mas, e aquela bonequinha ali… alguém reconhece?

Talvez esse post possa refrescar sua memória. Isso, lá no final do post… reconhecem?

Sim, a Lisa é a miniatura de uma personagem que eu havia criado enquanto aprendia a mexer no Inkscape e que possivelmente seria usado em um dos meus jogos. O jogo acabou não saindo, mas uma grande amiga ( embora “grande” seja uma certa ironia… né minha baixinha? ;*) resolveu me dar um dos presentes de aniversário mais FUCKING FODAS AWESOME PRÁ CARALHO DEMAIS da minha vida: uma miniatura em biscuit de um personagem que eu criei.

Eu quase chorei de emoção quando recebi, juro. Vai ser difícil algum brinquedo gamer superar esse brinquedo no meu coração…

… morram de inveja, meros mortais que nunca ganharam um presente tão UBER FUCKING FODA quanto esse!

Ufa, ficou um post bem grande, não? Só não chamo mais ninguém para o meme porque o dia das crianças passou faz tempo, mas se alguém quiser participar, sinta-se à vontade! :p

Expectativa por Fallout 3!

Filed Under (videogame) by MiWi on 24-10-2008

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Eu ainda nem tive tempo de zerar o Fallout 1, nem comecei o 2, mas isso não me impede de ficar na expectativa pelo 3, que será lançado semana que vem.

E duas coisas alimentaram meu “apetite” essa semana: o GOG, além de entrar em open-beta, liberou uma Bíblia compilada pelo pessoal do site com diversos fatos interessantes sobre Fallout. Ainda não tive tempo de ler, mas só de olhar os tópicos e saber que são 205 páginas já é algo extremamente animador! Vou ver se consigo um tempinho para jogar o jogo e ler um pouco da “bíblia” de Fallout - que está disponível para quem comprou o jogo, claro.

Além disso, o GameSpy fez uma entrevista com o game designer Emil Pagliarulo sobre o jogo, o que me fez ter um pouco mais de esperança no jogo: eu tenho um certo receio em me decepcionar com o jogo, dada a grandiosidade dos jogos anteriores e do medo desse jogo virar mais um “shooter com elementos de RPG”.

Pela entrevista, parece que o designer estava bem consciente dos elementos que tornaram Fallout o grande jogo que é, e isso me animou bastante.

Por outro lado, esse maldito dólar me desanima: como eu vou conseguir encomendar minha edição limitada desse jeito, meu deus?!

Cindy pergunta… Vocês recomendam algum volante para PC?

Filed Under (utilidades, vida pessoal, videogame) by MiWi on 21-10-2008

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Eu estou pensando em comprar um volante para o meu PC. Meu sonho ainda é ter um cockpit para jogar jogos de corrida em alto estilo, mas isso está meio fora do meu padrão por enquanto.

Mas eu não entendo nada sobre isso e nem frequento fóruns sobre jogos de PC, então eu resolvi perguntar para os meus leitores: vocês recomendam algum volante para PC? Indicam alguma marca? Algo que eu devo prestar atenção?

Eu gostaria de algo bem realista, então marchas e Force Feedback são coisas que eu já sei que me interessam. Mas fora isso eu não entendo muito sobre o assunto.

Se quiserem aproveitar para me recomendar algum bom jogo de corrida para jogar com volante, eu também agradeço.

O aniversário do meu namorado é daqui a duas semanas, e eu vou usar o volante no pc dele porque a placa de vídeo do meu notebook é ruim. Será que rola eu dar de presente para ele? Ou será que ele percebe que é presente com segundas intenções?

Brincadeirinha, te amo, amor!

Um Relato Rápido Sobre Percepções

Filed Under (Gamedev, videogame) by MiWi on 20-10-2008

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Essa semana eu envelheci uns 10 anos. Não, eu não passei a aparentar ter 25 anos (já que hoje eu aparento ter 15). Nem amadureci tremendamente. Mas, essa semana, eu comecei a me interessar por algo que pouquissimas pessoas se interessam - ainda mais uma pessoa com menos de 30 anos.

Ficção Interativa. Ou Interactive Fiction, como é mais conhecida - raramente se vê referências a esse gênero em português. Um meio de comunicação que está entre a literatura e o jogo e que tem poder para ser uma expressão muito interessante da literatura moderna.

Infelizmente, por limitações (dos programas e dos designers), muitas ficções interativas se transformam em jogos de “adivinhe o verbo”:

“Você está em um sala, diante de uma mesa com livros e materiais escolares.”

> Pegue o livro

“Eu não entendo, qual livro?”

> Pegue materiais escolares

“Eu não preciso de tudo isso”

>Examine livros

“São apenas livros”

>Vá se foder

“Desculpa, eu não compreendo esse verbo”

O que, certamente, não é uma experiência muito… inspiradora. Além disso, como poucos jogadores gostam desse gênero, um novo jogador pode se sentir intimidado pela falta de gráficos, sons, e por não estar habituado com o universo dos IFs - um jogador de primeira viagem pode perder a vontade de jogar só de ficar olhando para aquela de texto, sem saber o que deve digitar, especialmente se ele tiver cada tentativa de interagir com a história negada através de uma síndrome de “eu não reconheço esse verbo” ou “isso não é relevante”.

Eu sei, já aconteceu comigo e mais de uma vez me afastou desse gênero, que eu não sei dizer se “jogo” ou se “leio”. Interajo, acho.

Mas voltei a tentar, e obtive uma experiência… interessante.

Não irei relatar qual o jogo, por um simples motivo: irei contar o final, e é um tanto chato jogar um jogo como esse já sabendo o final. Conto apenas a minha experiência, retirando as pequenas frustrações encontradas pelo caminho (”Eu preciso jogar minhas coisas no chão para poder tomar banho? WTF?”):

Era um dia comum, como qualquer outro. Você acorda com uma ligação de um colega de trabalho, reclamando que você está atrasado e que vai te matar se você não levar seu traseiro até o trabalho AGORA. Ele desliga antes que você tenha tempo de esboçar alguma resposta.

Você está atrasado para o trabalho e parece ter tido uma noite daquelas, a considerar pelo fato de você estar suado e com as roupas sujas. Mecanicamente, você toma um banho, troca de roupas, pega suas coisas, sai do apartamento e pega seu carro.

Dirige até seu trabalho, estaciona, entra, vai até o seu cubículo, lê a nota e assina o formulário. Calmamente, você vai até o seu chefe entregar o bendito formulário para o seu chefe.

E aí é que o jogo dá um gancho de direita em você, exatamente quando o “seu” chefe diz: “Quem é você? E por que você está no lugar do Fulano? Polícia, polícia!”

A cena é cortada. Aparece um noticiário: “Para as notícías mais leves, um assaltante assaltou um apartamento, matou o morador com várias facadas e escondeu o corpo debaixo da cama. Mas isso não é tudo: ele dormiu no lugar do assalto e, no dia seguinte, tentou ir para o trabalho do morador e fingiu ser o mesmo, como se nada tivesse acontecido! Foi preso quando foi preso pelo seu chefe. Agora, para as notícias do tempo…”

E eu fiquei, estupefata, olhando para o monitor. Reiniciei o jogo, olhei embaixo da cama e… sim, lá estava o corpo.

Um jogo curtissímo, de cerca de 10 minutos. Mas que serviu para mostrar como esse meio de comunicação pode ser usado: para “brincar” com a percepção do jogador, para induzi-lo por um caminho enquanto que a verdade está logo do outro lado. Brinca justamente com uma das coisas mais interessantes da ficção interativa: você depende do jogo para ver o mundo ao seu redor, sua visão é bastante limitada pelo que você imagina que pode explorar.

Justamente, a grande força da literatura consiste em brincar com o “sentido” mais poderoso do ser humano, a imaginação. E o que pode se obter a partir daí, num misto de literatura com brincadeira, como uma mão que se estende de dentro de um livro e pergunta “este é o meu mundo, mas para onde você quer ir agora?”

Embora, é claro, boa parte das histórias sejam muito voltadas a “puzzles” para o meu gosto, mas eu creio que esse tipo de ficção interativa tem o seu público. Pessoalmente, continuo atrás de jogos que consigam brincar com minhas percepções.

Se achar mais alguma coisa, vou ver se posto alguma opinião aqui - desta vez com nomes do jogo e sem spoilers.

[Primeiras Impressões] Persona 2: Innocent Sin

Filed Under (videogame) by MiWi on 18-10-2008

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Essa semana foi agitada: não bastava o lançamento da tradução de Mother 3, também foi lançada a tradução de Persona 2: Innocent Sin. Aliás, o pessoal que traduziu Mother 3 é tão apaixonado pela franquia que fez um kit especial com artbook e chaveirinho (e mais algumas coisas) por 20 dólares e que sim, brasileiros também podem comprar. ISSO que é trabalho de fãs para fãs.

E, se o Fábio pode fazer um “primeiras impressões” de Mother 3, eu também posso fazer um de Persona 2. Consegui o jogo, apliquei o patch, transformei em eboot e fui jogar no meu PSP.

Deus, que jogo. E que tradução! A tradução está simplesmente FANTÁSTICA. Não apenas pela qualidade da tradução (que deveria servir de exemplo para muitas empresas que fazem traduções meia-bocas de seus jogos), mas pelo capricho. Um dos membros do projeto se deu ao trabalho de modificar a fonte para que ela tivesse um certo efeito 3D para facilitar a leitura. E, pelo que eu li, isso tornou o texto mais fácil de ser lido do que no Persona 2: Eternal Punishment, a sequência de Innocent Sin que chegou ao ocidente.

Trata-se de um RPG para PSX que foi lançado em 1999. Diz-se que não chegou ao ocidente por conter “temas polêmicos”. Até agora eu não vi nada de mais, mas com três horas de jogo eu sinto que mal saí da superfície da história…

Os personagens são interessantes. Os diálogos são interessantes. Os efeitos sonoros são interessantes. O sistema de batalhas foi interessante. E é ainda mais interessante ver como em 1999 já surgia um jogo tão fantástico e ver que hoje em dia os bons RPGs japoneses estão cada vez mais raros… mas em dezembro chega Persona 4… que agora eu estou com vontade de comprar.

O início da história mostra um grupo de colegiais japoneses que se vêem às voltas com uma intricada trama que envolve demônios e rumores que se transformam em realidade. Ao mesmo tempo em que trata de uma trama que você pode até já ter visto em um anime… colegiais? Demônios? Rumores? Aliás, colegiais que espalham boatos e tem seus próprios demônios? Mas, em um RPG, isso é algo que não se vê todo dia. O último jogo de colegiais que eu me lembro de ter jogado foi… o RPG de Sailor Moon para SNES.

O sistema de batalhas é ótimo: você pode conversar com os inimigos para convencê-los a formar contratos com você, dar cartas de tarô que você pode usar para invocar “personas” mais fortes ou para dar itens especiais. Você pode deixar a luta no automático, ou pode ir mudando os comandos a cada turno - o default de cada personagem é usar o mesmo golpe que foi usado no turno anterior, então você pode só mudar os golpes que precisam ser mudados. E há um comando especial para mandar todo mundo atacar. Sério, o sistema é genial - tira muito da “repetividade” em ficar apertando A cinquenta mil vezes para mandar seus personagens atacarem, e ainda o deixa mais estratégico: é melhor atacar? Usar personas para melhorar o nível dos seus personas? Tentar convencer o inimigo a lhe dar algum item?

Coloquei alguns screen-shots que eu achei na net sobre o jogo (eu estou sem o plugin para tirar screenshots no psp… preciso resolver isso uma hora :p), mas acho que um vídeo mostra melhor um pouco da qualidade da tradução:

Em suma? Deus, trabalhos de fãs tem essa tendência maravilhosa a nos surpreenderem. É algo em que as empresas deveriam prestar mais atenção. Enquanto nós, gamers, nos maravilhamos com esses jogos que deveriam ter sido trazidos há muito tempo para o Ocidente.

Aliás, os tradutores são dedicados que já lançaram uma segunda versão do patch para resolver alguns problemas com saves que algumas pessoas estavam tendo.

Agora, se vocês me dão licença, eu tenho de voltar a jogar…

Ushiro - Um Rpg de Horror para o PSP?

Filed Under (videogame) by MiWi on 14-10-2008

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Saiu o primeiro vídeo do Ushiro, o RPG de horror da Leval-5 para o PSP:

Aparentemente, trata-se da história de um shinigami que possui pessoas que estão cansadas de suas vidas para ele saber como é a vida dessas pessoas.

Pareceu-me um vento novo, e RPG de horror me pareceu algo excelente - e que raramente se vê por aí. O único outro que eu conheço (de nome, porque ainda não tive tempo de jogar) é Koudelka. Certamente é bom para variar do “você é um herói que deve salvar o mundo da destruição por monstros malignos/seres espaciais malvados/blablabla”.

Não que não existam jogos maravilhosos apesar dos temas clichés - Final Fantasys são repletos desse tipo de coisa e nem por isso são ruins, até porque os melhores da série dão um jeito de dar toques de originalidade a temas batidos. Mas é bom ver que ainda existe quem sabe que RPG não consiste apenas em salvar ou mundo ou qualquer coisa boba do gênero.

Aliás, por tudo que é mais sagrado, que esse Shinigami não seja um ser bonzinho tentando salvar os humanos. Por favor.

Final Fantasy Crystal Chronicles: Echoes of Time para Wii e DS em janeiro do ano que vem (no Japão)

Filed Under (videogame) by MiWi on 01-10-2008

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Eu achei que o projeto já tinha sido abandonado e já estava me conformando em não ter nenhum Final Fantasy RPG (vagamente parecido com a série oficial, então não, o jogo do Chocobo e My Life As a King não contam), mas saiu na Shonen Jump que o projeto decidamente não foi abandonado. Tanto é que ambas as versões (para Wii e para DS) serão lançadas no início do ano que vem.

Quanto tempo será que demora para o jogo chegar no mercado ocidental? Uns seis meses?

O jogo será lançado para ambos os consoles e terá opções de conexão caso você tenha ambos os jogos. Alguns pontos a respeito dos jogos:

- Você poderá jogar no Wii e no DS ao mesmo tempo, graças à engine Pollux. O que isso significa? Eu não faço IDÉIA.

- Jogadores no Wii e jogadores no DS poderão jogar online juntos. Espero que isso não envolva um quinzilhão de friend codes.

- Gameplay diferente para cada versão… considerando que em uma você joga com a stylus e em outra com o Wiimote, isso é meio óbvio, não?

- A história gira em torna de Charlotta e um cristal misterioso. Afinal, o nome da série É crônicas do cristal…

- Você pode transferir MIIs da versão do Wii para a versão do DS. Aliás, você vai poder usar Miis no seu jogo. O que pode ser legal, ou extremamente bizarro.

Pareceu interessante, e como eu tenho os dois consoles, eu espero que as possibilidades de conexão entre as versões sejam realmente legais. Mas me parece meio redundante comprar o mesmo jogo duas vezes…?

Scan da revista, caso alguém queira ver imagens. Ou ler, se souber japônes.

[fonte: GameKyo ]

Para ir dormir de mal humor…

Filed Under (videogame) by MiWi on 25-09-2008

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Tela inicial da PSN Store, que mostra os países que “existem” para a Sony:

Que o Brasil não está nessa lista todo mundo já sabe, mas hoje eu parei para ficar olhando os países que ESTÃO na lista.

Genial, a Sony ignora por completo a existência do Brasil, mas tem PSN Store para a ÁFRICA DO SUL. Claro, aposto que tem mais gente com consoles da Sony lá do que aqui, claro…

Na ARÁBIA SAUDITA, então, nem se fala: sheiks adoram o PS3, faz o maior sucesso para entreter as 50 esposas enquanto elas não estão transando com seus maridos. Ou melhor,  os sheiks se reunem para jogarem PS3 por lá!

Sem falar nos países minúsculos da Europa que só estão na lista porque… fazem parte da Europa.

E, como só se fala no iPhone esses dias… vocês lembram de como o Steve Jobs falava que o preço do iPhone deveria ser o mesmo em todos os lugares do mundo? Com um iPhone a mais (bem mais) de 1000 reais, aliás, acho que ele só chega vagamente perto dos 1000 reais nos planos de “acorrente-se à operadora e seja enviado ao inferno pelos próximos dois anos”, contra 200 dólares lá fora e ficando em torno de 600 ~ 700 dólares no plano pré-pago… o que eu deveria deduzir? Que o Brasil não faz parte do mundo?

Bacana ver que em 2008 o Brasil continua sendo o país dos macacos e bananas…