[Diário Gamedev] Especial - Idéias e Desabafos
Quase não postei isso como parte do “diário gamedev”, já que não se trata tanto de algo sobre desenvolvimento, mas como um desabafo.
Muito antes de aprender qualquer coisa sobre programação e algoritmos, muito antes de começar a considerar uma carreira na área de exatas, havia algo que me chamava. Algo que eu tinha e que fazia as pessoas me elogiarem.
E, ah, como eu AMO elogios. Quando tudo o mais falha, ver um elogio em algum canto, escrito por alguém que eu mal conheço, me traz um novo ânimo. Faz-me sentir mais capaz, mais soberana de mim - entendam, depois de anos sendo considerada uma daquelas “garotas estranhas” da turma, é bom ser constantemente lembrada que diferente não significa algo ruim, muito pelo contrário.
Tenho verdadeira paixão por contar histórias. Mas não apenas os fatos, as cores, os cenários… não, essa era a parte menos importante para mim. O que havia em cada linha que eu escrevia, cada história que se desenrolava sob meus pequenos dedos, falava sobre medos, sobre emoções, sobre angústias, felicidades, indecisões. Não eram os fatos que realmente comandavam minhas histórias, mas as reações de meus personagens a eles.
Sou fascinada por encontrar maneiras de contar minhas histórias. Durante algum tempo, escrever era o que me animava, o que me ajudou a superar uma das fases mais difíceis da minha vida - mas que acabou por me tornar muito mais forte, de tal maneira que a mesma situação não me abalaria da mesma maneira hoje.
Eu posso quase imaginar a pergunta surgindo na cabeça de quem estiver lendo este post… “Mas, afinal, o que isso tem a ver com gamedev?”
E eu diria… tudo.
Às vezes eu me pego imaginando coisas que eu gostaria que acontecessem na minha vida. Há o óbvio para uma garota, claro: casar, ter filhos. Mas há também um desejo imenso em ser mais reconhecida pelo meu trabalho. Em conseguir levar adiante meus projetos, em conseguir transmitir minhas idéias.
Há um campo de desenvolvimento de jogos que me chama muito a atenção, talvez até mesmo pela sua quase inexistência: a emoção transmitida através deles. Não fala de adrenalina, do desejo de vencer. Falo de empatia.
Há alguns jogos que conseguiram avanços nessa área, e são muito lembrados por conta disso - o primeir exemplo que me vêm à mente é Shadow of the Colossus, um dos únicos jogos que conseguiu que muitos de seus jogadores se sentissem… culpados. Que fez com que os jogadores se sentissem divididos entre seguir adiante ou parar com algo que eles sabiam ser errado.
Quando se fala em contar histórias através de um jogo, normalmente se pensa em RPGs ou Adventures Point-and-click. Embora exista razão para essa associação, na maior parte dos casos os RPGs e os Adventures não fazem nada além disso: contam uma história. São raros os casos nos quais o jogador sente alguma empatia pela situação do personagem, e não algo que pode ser resumido com um simples “Yeeeey, agora eu vou treinar, reunir companheiros e salvar o mundo”.
Na maior parte dos casos, são jogos nos quais você controla bonequinhos,em batalhas que envolvem números para… para o que mesmo? Ah, sim, salvar o mundo.
Há aquele Final Fantasy, cujo certa cena se tornou memorável para muitos fãs. Alguns ficaram entristecidos quando certo personagem morreu, mas muitos ficaram felizes em se livrar de um personagem tão irritante. O Final Fantasy mais recente pecou nesse sentido - você conhece alguém que tenha simpatizado profundamente com algum personagem do jogo? O personagem principal possuía uma personalidade que caberia numa colher de chá. Fran e seu companheiro eram divertidos, davam algum toque ao jogo, mas não passavam disso.
Se há algo que eu gostaria de estudar, seria como conseguir colocar as emoções que eu costumo colocar tão bem no papel na forma de um jogo.
Como tratar de emoções delicadas sem se tornar embaraçoso ou irritante? Como transmitir emoções a jogadores que estão acostumados a associar apenas emoções como frustração (por não conseguir passar de uma determinada fase) e rivalidade aos seus jogos?
Estou pensando nisso, e espero algum dia chegar a algum resultado. Quero contribuir para que existam jogos que transmitam emoções como certos filmes que fazem com que você chore TODA vez que você os vê - e que você volta a assistir mesmo assim. É claro que não sou a primeira pessoa a pensar nisso - algo assim deve ter cruzado a mente de alguns criadores de jogos que conseguiram jogos que transmitiam emoções distintas. Mas é algo que definitivamente merecia mais atenção, e que eu realmente gostaria de me dedicar.
Se algum dia vocês lerem uma tese de uma mulher sobre emoções e jogos… vocês já sabem quem terá escrito ![]()
Quem quiser me ajudar, eu gostaria de comentários: que jogos vocês jogaram que transmitiram algum emoção? Há algum jogo que realmente tenha chegado até você, ao ponto de você ficar pensando na história, seus personagens e suas emoções mesmo tempos depois de ter “zerado” o jogo? Não, não sei se tristeza por chegar ao fim de um jogo realmente bom conta :p
(e mesmo com a possibilidade de discussões como essa, ainda há quem questione a validade de jogos de videogame enquanto “arte”… é claro que nem todos os jogos merecem tal título, mas também, nem toda pintura merece ser chamada assim, nem todo livro, nem todo filme… mas são os jogos realmente BONS que fazem você pensar que jogos são, sim, uma arte. Mas isso é assunto para um outro post ;D )




![TDC2008 [Florianópolis]: Eu fui!, parte 2](http://www.diskchocolate.com/blog/wp-content/uploads/2008/12/tdc-150x150.jpg)



![[Meme] Que Cosplay de Personagem Você Usaria?](http://www.diskchocolate.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/9-vivi-c-150x150.jpg)
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23 de fevereiro de 2008 at 5:22 pm
[...] 23, 2008 por miwi Obrigada pelos comentários e recomendações de bibliografia no post anterior sobre o ...