Jogos Casuais, ou O Wii é Bobo, Feio e Mau, manhê!

Eu estava dando uma olhada num site muito interessante sobre desenvolvimento de jogos, o DevelopMag, e acabei por me dar conta que as colunas mais interessantes eram da seção… Casual Connection. Conexão Casual. Casual. É, jogadores de carteirinha e que adoram serem chamados de “hardcore”: c-a-s-u-a-l. A temida palavra.

O que me fez lembrar de - mais um - argumento para lá de sem nexo que eu já vi mais de uma vez quando o assunto é o Wii e seus jogos casuais: como o Wii vende como água e seus jogos casuais de orçamento baixo vendem mais do que muitos jogos que custaram alguns milhões para serem feitos, algumas pessoas começaram a temer que o mercado casual cresça de tal maneira que o espaço para os jogos “de macho mesmo” fique cada vez menor.

O que essas pessoas aparentemente não compreendem é que o que o Wii e seus jogos casuais, assim como a XBLA e seus jogos casuais, estão fazendo não é tomar a fatia dos jogos hardcore, mas aumentar o bolo. Embora isso resulte em muitos jogos bobos e de baixa qualidade, também resulta em gemas diferentes, em alguns jogos de qualidade - não, o fato de você gostar do jogo ou não NÃO é o que define se ele tem qualidade ou não.

Aliás, não sei como podem ter tanto repúdio pelo “casual”, se isso é praticamente ignorar o fato de que nossos queridos joguinhos hardcore devem sua existência aos jogos casuais! Quer jogo mais casual que Pong? Pac-man? Ninguém se lembra que, lá no início, ninguém era “hardcore”? Não, nem mesmo os coreanos!

Eu sou uma grande apaixonada pelo mundo indie dos jogos, como quem já deve ter visto alguns posts meus deve ter percebido. E o mundo indie também deve muito ao casual - eram os não-jogadores que mais tinham chances de experimentarem jogos não-tão-complexos e sem tantos efeitos especiais e gráficos “OMFG! THIS IS AMAZIIIING!”, e os desenvolvedores independentes se aproveitaram disso ao desenvolverem jogos mais simples voltados para esse público. Hoje existem RPGs indies de qualidade, Adventures indie de qualidade, mas o maior foco continua sendo aquele jogador que joga durante 5 minutos, meia hora.

Ainda assim, os jogos casuais parecem assustar algumas pessoas. É incrível: pessoas que se acham tão “entendidas” no assunto são incapazes de discernir seu gosto pessoal do mercado - se elas não gostam daquele tipo de jogo, ele é “ruim”, se é do seu gênero favorito, é um “espetáculo”, por mais genérico que o jogo possa ser. Ao falharem em enxergar os jogos pelo seu valor no mercado e enquanto jogos de um gênero particular, as pessoas perdem a credibilidade enquanto “especialistas” no assunto - ninguém é plenamente imparcial, mas isso não justifica usar argumentos tão parciais quanto “eu não gosto, por isso é ruim” (embora poucos digam essas palavras, é o que significam muitos dos argumentos utilizados).

 E já é o meu segundo post sobre argumentos sem nexo que eu já vi sendo usados em discussões sobre videogame. Acho que vou fazer uma série: argumentos sem nexo, ou os motivos pelos quais eu parei de participar de comunidades sobre videogame no Orkut.

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